terça-feira, 4 de dezembro de 2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Manguebeat?




Manguebeat é um movimento contracultura surgido no Brasil na década de 90 em Recife que mistura ritmos regionais, como o maracatu, com rock, hip hop, funk e música eletrônica. O movimento tem como principais críticas o abandono econômico-social do mangue, da desigualdade de Recife.
O músico Chico Science, ex-vocalista da banda Nação Zumbi, foi o idealizador do rótulo mangue e principal divulgador das ideias, ritmos e contestações do Manguebeat. Outro grande responsável pelo crescimento desse movimento foi Fred 04, vocalista da banda Mundo Livre S/A e autor do primeiro manifesto do Mangue de 1992, intitulado "Caranguejos com cérebro".

O Manguebeat influenciou muitas bandas de Pernambuco e do Brasil, sendo o principal motor para Recife voltar a ser um centro musical, e permanecer com esse título até hoje.
O estilo musical "mangue" foi levado para todo o Brasil, e uma legião curtiu a ideia de mostrar a dura realidade em forma de música, como já acontecia com outros artistas, mas com "pegadas" de maracatu com rock, eletrônico, uma mistura nunca vista.


O povo fala o que foi o Maguebeat



"O mangue beat foi um tentativa de "avivamento" da cultura que ao menos tempo se assemelha a uma contra-cultura. Todavia, o estilo despojado e o sucesso musical fez com que a identidade substancializada virasse alvo de manipulações politicas. Tal identidade foi associada a uma identidade regional". Danielle Agostinho, estudante de museologia.

"Com letras geniais que demonstrão um pouco da cultura, do dia-a-dia e das mazelas do nosso estado.Ele faz uma denuncia social de maneira inteligente." diz Luiz de França, grande admirador do movimento.

"A inserção da cultura mangue beat como parte da cultura regional tbm aparece como uma tentativa de fugir do estigma do nordestino sertanejo
podendo assim ser identificado como algo mais moderno, globalizado... sem deixar as raizes já que esse é o discurso pernambucano". 



sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Quem Somos

O Caranguejo Escuta é um blog que fala sobre a pluralidade da música pernambucana, será neste espaço que falaremos sobre o frevo, maracatu, coco, ciranda, forro, manguebeat, enfim aqui é o lugar certo pra quem procura conhecer mais a fundo a cultura pernambucana.

Convidamos você a dar um breve passeio pelos ritmos que marcam a nossa terra... Veja muito bem vindo ao Caranguejo Escuta e divirta-se!


OS ENCANTOS DO MARACATU CORAÇÃO NAZARENO


Texto: Ísis Limão

Donas de casa, crianças, adolescentes e mães, são elas que dão vida às personagens do Maracatu Coração Nazarena. Foi em 2005 que se viu pela primeira vez um maracatu de baque solto formado só por mulheres. Ao seu modo, elas vêm mostrando seu potencial cultural, seus versos falam sobre mulher, natureza, violência de gênero, mães ou fatos de impacto social.

Foto: Ísis Limão -Cabocla de lança por opção,
Marinalva encanta o público.
Resultado de uma ideia da coordenadora da Associação das Mulheres de Nazaré da Mata (AMUNAM) Eliane Rodrigues, o Maracatu Coração Nazareno deu oportunidade as mulheres que tinham curiosidade em saber como era ser um personagem (até então masculino), tal como o caboclo de lança, o reamar ou o mestre do maracatu.  Como é o caso da cabocla e coordenadora do maracatu Marinalva, que também é a mais experiente do grupo. Aos 49 anos, a esposa e mãe se sente feliz por poder carregar os 16 kg de sua roupa de cabocla, onde se apresenta. “Eu estou com um problema de coluna que vou ter que parar de brincar”, comenta a cabocla. “Já surgiu a oportunidade de brincar de rei, mas é muito parado, eu gosto mesmo é de brincar de cabocla”, continua.

    
     Foto: Ísis Limão - A Mestra do Maracatu Coração Nazareno
Gilvanilda, a mestra Gil
Quem pulsa e embala esse coração é Gilvanilda, 42, mais conhecida como Mestra Gil. A mãe de 5 filhos que é casada com um também mestre de maracatu, Zé Duda, conta que antes de ser a mestra do Coração Nazareno brincava como baiana no Maracatu Leão Formoso, ao lado de sua mãe. Mas seu sonho é vestir outra roupa: “Eu queria ser cabocla. Me empurraram pra ser bandeirista, no primeiro ano aqui no maracatu, e no outro pra ser a mestra”, diz. Depois de sua primeira apresentação como bandeirista, a ouviram cantando um verso durante o banho e decidiram que ela seria a nova mestra. “Eu tava no banho e cantei um improviso ‘E a AMUNAM na cultura, ninguém quebra o seu tabu. Que Eliane Rodrigues fez um lindo maracatu. ’ Pronto, quando eu saí do banho tava todo mundo gritando na porta e dizendo pra eu ser a mestra”, comenta Gil, que confessa ter ficado assustada no começo. “A primeira vez que eu brinquei como mestra, eu chorava e tremia mais do que vara verde”, conta aos risos.    
     
Foto: Ísis Limão - Amor que vem de família, 
as irmãs Rosália (dir.) e Rosinete (esq.). 
O maracatu de baque solto, para algumas dessas mulheres, é como se fosse uma herança de família. As irmãs Rosinete Maria, 25, mais conhecida como Manguito, e Rosália, 29, conhecida como Preta, poderiam montar seu próprio maracatu se juntasse todos os seus familiares que brincam. Elas entraram nessa brincadeira através de seu avô que tinha paixão pela brincadeira. Mas também tem sobrinhas, cunhados e primos, todos envolvidos com a cultura da terra. “Meu avô sofreu um acidente brincando, daí meu pai ficou sem vontade mais de sair com o maracatu. Aí um primo meu me chamou pra dançar e eu fui, porque ficava curiosa para saber como era aquela roupa rodada da baiana. Minha mãe dizia que era um balaio e eu dizia que ainda ia brincar pra saber o que era. Quando eu comecei, descobri que era um arame que dava aquele formato”, lembra Rosália. Sua irmã Rosinete é a reamar do maracatu: “Faz 10 anos que eu brinco. Já brinquei no terno (a banda do maracatu), já fui contra-mestra, cabocla e agora eu brinco de reamar, e foi o que eu mais gostei”, diz.  


Essas mulheres sabem a importância cultural do que fazem, mas continuam humildes e fazendo porque realmente gostam de maracatu. Passam um ano esperando entusiasmadamente pra sair nas ruas e mostrar o colorido vivo de suas roupas, sorrisos e a alegria de representar a arte da sua terra.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Conversando com Geraldinho Lins

Geraldinho Lins fala sobre as diversidades que a cultura pernambucana proporciona a música, o início da carreira passando pelas bandas Flor da Pele e Quenga de Coco, até os dias atuais, onde é considerado um dos grandes icones da música pernambucana. Antes de ser tornar um cantor reconhecido, para ganhar a vida o forrozeiro tocava em vários bares e restaurantes do Recife. Na banda Flor da Pele, Geraldinho costumava cantar desde Legião Urbana até Zé Ramalho, passando pela ciranda, coco de roda, rock.

Como começou sua história com a música?

Geraldinho Lins: Minha história com a música começou talvez no ventre da minha mãe, porque desde criança eu sempre brinquei de cantar e dançar, sempre tive essa vontade de está envolvido com música. Via meus  ídolos na televisão e como diria Lulu Santos "meus amigos afim de jogar bola e eu queria tocar guitar na tv", e é muito legal essa música,  porque retrata o que realmente aconteceu comigo e com vários outros artistas. Comecei tocando nos colégios, nas missas e depois que ganhei meu primeiro violão, deixei de lado o futsal que praticava até então, para estudar música no Conservatório, o sonho de ser violeiro, forrozeiro desde cedo me acompanhava  e eu sempre tive isso muito claro na minha mente. Bati o pé, insisti e tô insistindo até hoje, porque como em todas as profissões encontramos desafios e dificudade.

Em 1991, com a banda Flor da Pele, você começa a levar a música pernambucana para outros lugares. Conta um pouco pra gente o que foi esse projeto.

Geraldinho Lins:
A gente tocava de tudo,ciranda, maracatú, caboclinho, coco de roda, misturavámos tudo isso com rock'n'roll, afinal de contas erámos adolescentes e escutavámos de tudo,desde Alceu Valença até Titãs, e quando a gente tocava queriámos retratar um pouco disso para as pessoas.
Todo mundo conhecia Geraldinho como cantor de forró e em 2008 você aparace comandando um trio no Galo da Madrugada, como surgiu o convite?

Geraldinho Lins:
  Eu sou apaixonado pelo música pernambucana, adoro carnaval e toda essa pluralidade da música pernambucana. E eu sempre cantei no carnaval, é porque eu ficou conhecido como forrozeiro porque eu passei cinco anos na banda Quenga de Coco, que era só forró pé de serra. Mas eu tinha um sonho de cantar no Galo da Madrugada, no primeiro ano a gente bancou um trio, montamos uma estrutura e saímos na cara e na coragem.

Foi bom demais, todo mundo gostou e  no ano seguinte (2009) as empresas começaram a entrar em contato com a gente e arrumamos patrocínio. Foi um sonho realizado, que muitos não apostaram, mas eu sempre soube do meu potencial pra cantar frevo.

Durante o ano o frevo é esquecido pelas rádios, como você ver essa situação? Falta insentivo?

Geraldinho Lins:
É muito triste, é para ser uma coisa natural, porque a tempos atrás foi instituída uma lei que todas as rádios deveriam tocar pelo menos um frevo por dia, mas tiveram rádios que derrubaram essa lei. Não foi uma coisa natural, como acontece na Bahia, onde os artistas se uniem para divulgar as músicas, aqui não há também um interesse to público, não se tem estimulo para renovar, temos muitos compositores bons, Pernambuco é um dos lugares que tem mais gente boa compondo, mas ninguém tem interesse de fazer frevo novo, porque não toca, as pessoas não pedem. Antigamente a gente ouvia os lançamentos de frevo, as músicas que seriam tocadas no carnaval, já em dezembro, hoje não existem estimulo e isso é muito triste, já que o frevo tem uma carga cultural enorme e é uma música vibrante, alegre!

O que te levou a seguir carreira solo? 

Geraldinho Lins:
Na verdade eu sempre tive uma carreira solo, porque eu sempre toquei em bar, voz e violão. Quando eu fui convidado a participar da Quenga de Coco, eu continuei meu trabalho tocando nos bares, porque o que me sustentou sempre foi a música.  Depois de um tempo, eu saí da banda e foquei apenas na minha carreira solo.

 O dvd "Forró pra conquistar você", lançado em 2005, marca a sua carreira solo e a chegada na Luan Promoções e Eventos. As músicas "Xote da Saudade" e "Amor de Sertão" ganharam os quatro cantos do estado, até hoje é sucesso total, e com certeza não podem faltar no show. Quais músicas você não pode deixar de cantar ?


Geraldinho Lins:
Menino Bagunceiro , forró na ladeira, Dona desse ... , Xote Conquistador. Na verdade são as mais antigas que o pessoal  não deixa de fora, mas todas essas "mescladas" com as novas músicas como "Teu amor", "Veja Bem".

No período de São João o número de shows que você faz deve aumentar consideravelmente, você faz algum tipo de preparação?como é?

Geraldinho Lins: Normalmente a gente faz entre 10 e 15  shows por mês, no São João já fizemos 40, tinha dia que chegavámos a fazer 4 shows por dia. Esse ano o número baixou, fizemos 32 shows (risos), como estamos indo muito para outros estados, não dá tempo para fazer mais de 4 shows num dia.  Minha preparação é constamente, faço hidrogisnática todos os dias, faço exercicíos diários para cuidar da voz, tenho acompanhamento de uma fonoaudiologia, água sempre natural e o fundamental, dormir, descansar.
Hoje, com mais de 20 anos de carreira, qual o sonho ainda falta ser realizado?
 
Geraldinho Lins: Acho que sim, todo artista tem essa inquietude de querer conquistar mais. Eu ainda vislumbro andar mais pelo Brasil, fui agora para o Rio Grande do Sul, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, foi muito bom, me surpreendi bastante. E tô tentando começar uma carreira internacional, quero mostrar nossa cultura para os outros países, mas isso é aos poucos, com muita tranquilidade.
Quais parceirias você gostaria de fazer?
 
Geraldinho Lins: As parceiras são importantes demais, porque ninguém faz nada sozinho. Meu principal parceiro de composição é Luciano Barros, meu cumpadre, padrinho da minha filha, e hoje eu tenho muitos amigos, a música me proporcionou muito isso,  a beleza da amizade verdadeira com grandes artistas. Meu critério para escolher minhas parceiras é a mesma para selecionar as músicas que entrarão no cd, é por afinidade, por gostar. Algumas das minhas parceirias aconteceu com Zezé di Camargo (cantando Roberto Carlos), e esse ano tive o prazer de dividir o trio elétrico no Galo da Madrugada com Elba Ramalho e Toni Garrido. 

Para finalizar, quais são os planos para 2013?
 
Geraldinho Lins: Continuar na estrada, que é onde eu passo 70% da minha vida e isso é muito importante na vida de um artista, porque por mais que a gente seja conhecido, há sempre um lugar ou uma pessoa que não conhece seu trabalho. Trabalhar mais o dvd " Do Sertão à  Beira-mar" que foi lançado no final do ano passado, e mais pra frente começar a "bolar" algumas coisas para o dvd de comemoração aos 25 anos de carreira que provavelmente terá a participação de vários amigos (artistas), falta um tempinho ainda, mas já estamos pensando nesse projeto.



Quer conhecer um pouco mais sobre o trabalho de Geraldinho Lins? Acesse o site http://www.geraldinholins.com.br/ 
  
E agora curta esse forrozinho bom "da peste!"


Trecho do 1º Dvd de Geraldinho Lins 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

É sucesso! Excesso de Bagagem traz o estilo das micaretas para palco.

A banda Excesso de Bagagem conquistou o público pernambucano e engajou pelo Nordeste. Em agosto de 2012 o grupo  completou 11 anos de carreira, a banda tem um caráter bastante peculiar, transformando o estilo MPB em Axé, trazendo o estilo das micaretas e arranjos regionais, procura respeitar suas raízes e formação musical.

Artur Lins, 32 anos, vocalista da banda fala que para chegarem ao sucesso de fãs, a banda sempre procurou investir na imagem, se aproximar do público “trabalhamos forte com a imagem, divulgação e como nossos fãs são jovens, procuramos compor as músicas na linguagem deles", explica.
Eles já gravaram seis CD's e quatro DVD's. A banda é, sem dúvida, um dos maiores sucessos de Pernambuco. Nos últimos anos, a banda passou por diversas casas de shows de Pernambuco e estados vizinhos.


Foto: Carol Rosalvo -Banda Excesso de Bagagem.

Foto: Carol Rosalvo - Arturzinho, vocalista da banda Excesso de Bagagem